Inicio Destaque Medicamentos falsos no mercado: Anvisa manda ‘raposas cuidar dos galinheiros’

Medicamentos falsos no mercado: Anvisa manda ‘raposas cuidar dos galinheiros’

 

Através de denúncia a polícia civil fechou este laboratório clandestino que fabricava e vendia “remédios” para farmácias e distribuidoras.

No Brasil, os laboratórios desonestos e sem capacidade técnica, que trapaceiam e fabricam medicamentos fraudulentos e ineficazes —na ânsia de obter maior lucro com mínimo custo— são os responsáveis pelo recolhimento dos seus produtos interditados espalhados em farmácias, postos de saúde e hospitais de norte a sul do país. Essa é a norma da Anvisa, que regulamenta o setor de produção e comércio de medicamentos no país.

             Anvisa manda raposas cuidar dos galinheiros

A Anvisa coloca a raposa para cuidar do galinheiro porque considera mais barato e prático o produto fraudulento ou com erro de fabricação fazer o caminho inverso que fez até as drogarias, postos de saúde, farmácias e hospitais públicos para retornar aos fabricantes. Assim, a ingênua Agência que centraliza a fiscalização pública do setor farmacêutico confia que a mesma distribuidora que vendeu o medicamento com ótimas vantagens para revenda —nos casos dos bonificados com margens de lucro que variam entre 100% a 400% e prazos de até seis meses para o pagamento— vai ter o dispêndio e o transtorno de voltar ao estabelecimento simplesmente para recolher o produto interditado.
A Anvisa adota a insana política de colocar raposas para cuidar dos galinheiros porque não considera a má fé dos laboratórios que lucram alto e só sobrevivem no mercado graças à nefasta, danosa, desonesta e antiética prática da empurroterapia. A maioria deles de capital nacional e de pequeno a médio porte —sem considerar os incontáveis fabricantes que operam na clandestinidade— são tidos por profissionais e especialistas do setor farmacêutico como laboratórios de fundo-de-quintal. O jargão pejorativo existe porque é notória a eles a falta de infraestrutura e capacidade técnica necessárias para produzir medicamentos de qualidade.

Apreensão de medicamentos produzidos por laboratório clandestino.

É incontestável que o mau fabricante de medicamentos que paga a propina, que financia a enganação nos balcões das farmácias, que favorece a venda desnecessária de medicamentos e que incentiva a troca do medicamento prescrito pelo médico pelo seu produto devidamente bonificado não vai gastar enormes quantias para predispor equipes nas ruas para visitar as mais de 70 mil drogarias comerciais e outras milhares de farmácias e postos de saúde públicos, além dos milhares de hospitais públicos e privados existentes em todo o país— para recolher das prateleiras das drogarias, postos de saúde e hospitais o remédio devidamente propinado.
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